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Claudicação

Diagnóstico Locomotor e Claudicação em Cães e Gatos: Do Raciocínio Clínico à Conduta DefinitivaA claudicação em cães e gatos representa um dos atendimentos mais desafiadores e frequentes na rotina da medicina veterinária. Para estabelecer um prognóstico preciso, o médico veterinário precisa ir além do sintoma visível e aplicar uma triagem biomecânica e semiológica sistemática. Este guia prático e treinamento especializado — desenvolvido pelo InstitutoVet em parceria com o Hospital Veterinário Florianópolis e suporte em inovação do ScientiaLabs — estrutura os pilares fundamentais do diagnóstico ortopédico e neurológico: Análise do Trauma e Biomecânica: Diferenciação entre injúrias de alta energia (fraturas, luxações) e traumas de baixa energia/microtraumas (ruptura crônica do ligamento cruzado cranial - LCCr). Perfil Epidemiológico: Correlação direta entre faixa etária, porte e conformação racial — desde afecções no esqueleto imaturo em filhotes (OCD, displasias, panosteíte) até proc

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O Curso

CURSO DE DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E RACIOCÍNIO CLÍNICO EM CÃES E GATOS

Módulo 2

CLAUDICAÇÃO EM CÃES E GATOS

Diagnóstico Locomotor Baseado em Raciocínio Clínico

InstitutoVet

Hospital Veterinário Florianópolis

ScientiaLabs

RXVet Laudos

Corpo Docente

Prof. Ewerton Cardoso

Prof. Mateus Ryschecki

Prof. Rafael Silveira

Prof. Marcelo Becker

Prof. Guilherme Durante

Prof. Bruna Warmling

Prof. Thainara Heineck

Prof. Carlos Eduardo Melo

https://hvflorianopolis.com.br/home/

Instituto Veterinário de Qualificação Avançada

Scientia Labs – Excelência em análises clínicas humanas e veterinárias.

RXVET LAUDOS - Laudos de radiografias veterinárias, laudos de eletrocardiograma, laudos de raio x, laudos de ultrassonografia, Tomografia Computorizada, Endoscopia, hemodinâmica (Arteriografia) e Ressonância Magnética


INTRODUÇÃO

A claudicação representa uma das principais causas de atendimento na clínica de pequenos animais, sendo responsável por grande parte das consultas ortopédicas e neurológicas em cães e gatos. Embora frequentemente associada à dor musculoesquelética, a alteração da marcha constitui um sinal clínico inespecífico que pode resultar de enfermidades ortopédicas, neurológicas, musculares, metabólicas ou sistêmicas.

O diagnóstico correto depende da integração entre anamnese, exame físico, avaliação da marcha, exame ortopédico, exame neurológico e métodos de diagnóstico por imagem. A abordagem baseada exclusivamente no membro dolorido aumenta significativamente a chance de erros diagnósticos, especialmente em pacientes com lesões múltiplas ou dor compensatória.

O objetivo deste capítulo é apresentar uma metodologia sistemática para avaliação do paciente claudicante, permitindo ao médico-veterinário estabelecer hipóteses diagnósticas consistentes e selecionar racionalmente os exames complementares.


OBJETIVOS

Ao final desta aula o aluno deverá ser capaz de:

  • Reconhecer os diferentes padrões de claudicação em cães e gatos.
  • Diferenciar alterações ortopédicas de alterações neurológicas.
  • Aplicar um protocolo sistemático de exame locomotor.
  • Construir diagnósticos diferenciais conforme idade, porte e histórico.
  • Interpretar exames de imagem de maneira integrada ao exame clínico.
  • Definir quando o tratamento deve ser clínico ou cirúrgico.

O QUE É CLAUDICAÇÃO?

Claudicação é qualquer alteração da marcha decorrente de dor, instabilidade articular, déficit neurológico, lesão muscular ou comprometimento biomecânico que resulte na incapacidade parcial ou total de apoiar ou movimentar adequadamente um membro.

É importante distinguir a claudicação verdadeira de alterações locomotoras secundárias a doenças neurológicas ou sistêmicas, uma vez que a abordagem diagnóstica e terapêutica difere substancialmente entre essas condições.


FISIOLOGIA DA MARCHA

A marcha normal depende da integração entre:

  • Sistema nervoso central e periférico;
  • Músculos esqueléticos;
  • Tendões e ligamentos;
  • Articulações;
  • Ossos;
  • Sistema vestibular;
  • Propriocepção.

Alterações em qualquer um desses componentes podem resultar em claudicação.


FLUXOGRAMA DO RACIOCÍNIO CLÍNICO

 
Paciente mancando

↓

Existe trauma?

↓

Sim → estabilização inicial

↓

Não

↓

Exame da marcha

↓

Exame ortopédico

↓

Exame neurológico

↓

Localizar a lesão

↓

Radiografia

↓

Ultrassonografia

↓

Tomografia

↓

Ressonância

↓

Diagnóstico definitivo
 

ANAMNESE

Histórico do trauma

A caracterização do mecanismo da lesão é um dos fatores que mais influenciam o diagnóstico diferencial.

Traumas de alta energia

  • atropelamentos;
  • quedas de grandes alturas;
  • acidentes automobilísticos;
  • esmagamentos.

Nesses pacientes, a prioridade é identificar lesões potencialmente fatais antes da investigação ortopédica.

Traumas de baixa energia

Incluem pequenos saltos, escorregões, brincadeiras ou exercícios repetitivos. Apesar do baixo impacto, podem desencadear rupturas ligamentares, lesões meniscais e tendinopatias em animais predispostos.


IDADE COMO FATOR DIAGNÓSTICO

Faixa etária Principais enfermidades
Filhotes Fraturas Salter-Harris, panosteíte, osteocondrite dissecante, displasias
Adultos jovens Ruptura do ligamento cruzado cranial, lesões musculares, luxações
Idosos Osteoartrite, neoplasias ósseas, doença degenerativa articular

PORTE E PREDISPOSIÇÃO RACIAL

Porte Doenças mais frequentes
Raças gigantes Displasia coxofemoral, displasia de cotovelo, osteossarcoma
Raças médias Ruptura do ligamento cruzado cranial
Raças pequenas Luxação medial de patela, Legg-Calvé-Perthes
Gatos Trauma, luxações, osteoartrite

EXAME DA MARCHA

O exame da marcha deve ser realizado antes da manipulação do paciente.

Devem ser observados:

  • apoio do membro;
  • amplitude dos movimentos;
  • comprimento do passo;
  • simetria;
  • rotação dos membros;
  • posição da cabeça;
  • elevação do quadril;
  • compensações musculares.

TABELA DE DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Categoria Exemplos Principal exame
Inflamatória Panosteíte, PAIM Hemograma, artrocentese
Infecciosa Artrite séptica, osteomielite Cultura e citologia
Traumática Fraturas, luxações Radiografia
Degenerativa Osteoartrite Radiografia
Desenvolvimento OCD, displasias Radiografia e TC
Neoplásica Osteossarcoma Radiografia, TC e biópsia
Muscular Iliopsoas, miosites Ultrassonografia e RM
Neurológica Hérnia de disco, neuropatias Exame neurológico, RM

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

A radiografia continua sendo o exame inicial para a maioria dos pacientes com claudicação. Entretanto, lesões ligamentares, tendíneas, musculares e algumas doenças articulares iniciais podem não ser detectadas.

Nessas situações, a ultrassonografia musculoesquelética, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética tornam-se fundamentais para a identificação da lesão e para o planejamento terapêutico.

Autores: 

Dr. Ewerton Cardoso – Médico-veterinário, cofundador do Hospital Veterinário Florianópolis (HVF), com atuação em cirurgia veterinária, ortopedia, oncologia, neurologia e diagnóstico por imagem.

Dr. Mateus Rychescki – Médico-veterinário, cofundador do Hospital Veterinário Florianópolis (HVF), com atuação em cardiologia veterinária, clínica médica e diagnóstico por imagem.

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