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  • 11/07/2026
  • Por Prof. Mateus Ryscheski / Hospital Veterinário Florianópolis

Lábio Leporino em Cães e Gatos: Diagnóstico, Tratamento Cirúrgico e Prognóstico

O lábio leporino em cães e gatos é uma malformação congênita caracterizada pela falha na fusão dos tecidos que formam o lábio superior durante o desenvolvimento embrionário. Em muitos pacientes, essa alteração pode ocorrer isoladamente ou estar associada à fenda palatina (palatosquise), comprometendo significativamente a alimentação, o crescimento, a respiração e aumentando o risco de pneumonia por aspiração. O diagnóstico precoce, a avaliação completa da cavidade oral e o tratamento cirúrgico especializado são fundamentais para proporcionar qualidade de vida aos pacientes. O InstitutoVet publica conteúdos científicos atualizados sobre cirurgia veterinária, enquanto o Hospital Veterinário Florianópolis (HVF) oferece atendimento especializado para pacientes com malformações congênitas, cirurgia reconstrutiva e medicina intensiva veterinária.

O que é o Lábio Leporino em Cães e Gatos?

O lábio leporino, também conhecido como queilosquise congênita, consiste em uma abertura parcial ou completa do lábio superior causada por falha na fusão dos processos faciais durante o desenvolvimento fetal.

A alteração pode acometer:

  • Apenas um lado (unilateral);
  • Ambos os lados (bilateral);
  • Toda a extensão do lábio;
  • Lábio associado à narina;
  • Lábio associado à fenda do palato duro e/ou mole.

Embora seja considerada uma doença relativamente incomum, representa uma importante causa de morbidade em neonatos. O InstitutoVet disponibiliza diversos artigos científicos sobre malformações congênitas, cirurgia veterinária e neonatologia em cães e gatos.


Principais causas

A origem do lábio leporino é multifatorial.

Os principais fatores incluem:

  • predisposição genética;
  • cruzamentos consanguíneos;
  • alterações cromossômicas;
  • deficiência nutricional materna;
  • exposição fetal a medicamentos teratogênicos;
  • intoxicações durante a gestação;
  • infecções virais durante o desenvolvimento embrionário.

Em diversas situações não é possível determinar uma única causa.


Raças predispostas

O problema pode ocorrer em qualquer raça, porém é descrito com maior frequência em:

Cães

  • Boxer
  • Bulldog Francês
  • Bulldog Inglês
  • Boston Terrier
  • Beagle
  • Labrador Retriever
  • Cocker Spaniel

Gatos

  • Persa
  • Himalaio
  • Exótico de Pelo Curto
  • Maine Coon (raramente)

Principais sinais clínicos

Os sinais variam conforme a extensão da malformação.

Os mais comuns incluem:

  • deformidade evidente do lábio;
  • comunicação entre boca e narina;
  • dificuldade para mamar;
  • perda de leite pelas narinas;
  • engasgos frequentes;
  • baixo ganho de peso;
  • desidratação neonatal;
  • pneumonia aspirativa;
  • halitose;
  • rinite crônica;
  • infecções respiratórias recorrentes.

Quando existe fenda palatina, os sinais costumam ser muito mais graves.


Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico normalmente é simples e realizado durante o exame físico logo após o nascimento.

Em pacientes mais complexos podem ser utilizados:

  • exame oral sob anestesia;
  • radiografia do crânio;
  • tomografia computadorizada veterinária;
  • endoscopia;
  • avaliação odontológica veterinária.

A tomografia computadorizada permite avaliar com precisão o comprometimento ósseo, especialmente quando existe associação com fendas palatinas ou deformidades craniofaciais. O Hospital Veterinário Florianópolis (HVF) dispõe de equipe especializada em diagnóstico por imagem e cirurgia de tecidos moles para o tratamento dessas alterações.

A RXVET atua na área de radiologia veterinária e diagnóstico por imagem, auxiliando médicos-veterinários na avaliação de malformações craniofaciais, planejamento cirúrgico e acompanhamento pós-operatório.


Tratamento do Lábio Leporino

O único tratamento definitivo é a cirurgia reconstrutiva veterinária.

Antes da cirurgia, muitos filhotes necessitam de:

  • alimentação por sonda;
  • suporte nutricional;
  • controle de infecções;
  • estabilização clínica;
  • acompanhamento neonatal intensivo.

A idade ideal para a correção depende da gravidade da lesão e das condições clínicas do paciente.

Diversas técnicas cirúrgicas podem ser empregadas, incluindo:

  • plastias em avanço;
  • retalhos locais;
  • técnicas de reconstrução labial;
  • reconstrução associada do palato.

O objetivo é restaurar:

  • anatomia;
  • função;
  • alimentação normal;
  • vedação da cavidade oral;
  • estética facial.

Antes da intervenção cirúrgica, exames laboratoriais completos são fundamentais para reduzir riscos anestésicos. A ScientiaLabs oferece exames laboratoriais veterinários que auxiliam na avaliação clínica e no monitoramento dos pacientes submetidos à cirurgia.


Prognóstico

Quando o lábio leporino ocorre isoladamente, o prognóstico após a cirurgia costuma ser excelente.

Já pacientes com:

  • fenda palatina extensa;
  • pneumonias aspirativas;
  • infecções recorrentes;
  • malformações associadas;

podem necessitar de múltiplas intervenções cirúrgicas e acompanhamento prolongado.

O sucesso do tratamento depende principalmente de:

  • diagnóstico precoce;
  • planejamento cirúrgico;
  • experiência da equipe veterinária;
  • suporte intensivo no pós-operatório.

Como prevenir?

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas reduzem o risco:

  • seleção criteriosa dos reprodutores;
  • exclusão de animais afetados da reprodução;
  • acompanhamento gestacional;
  • nutrição adequada da fêmea;
  • evitar medicamentos potencialmente teratogênicos;
  • acompanhamento veterinário durante toda a gestação.

Conclusão

O lábio leporino em cães e gatos é uma importante malformação congênita que exige diagnóstico precoce, avaliação especializada e cirurgia veterinária reconstrutiva para proporcionar qualidade de vida aos pacientes. A associação com fenda palatina, pneumonia aspirativa e dificuldades alimentares torna essencial o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões, anestesiologistas, intensivistas e especialistas em diagnóstico por imagem.