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Por
Prof. Ewerton Cardoso / Hospital Veterinário Florianopolis - Rxvet Laudos - Institutovet
Corpo Estranho Esofágico
O corpo estranho esofágico representa uma das principais emergências gastrointestinais em cães, exigindo diagnóstico e intervenção rápidos para evitar complicações como perfuração, mediastinite, estenose esofágica e sepse. Ossos, anzóis, brinquedos, bolas e outros objetos são frequentemente encontrados impactados no esôfago, principalmente em cães de pequeno e médio porte. O diagnóstico é baseado na associação entre sinais clínicos, exames laboratoriais, radiografia, tomografia computadorizada e endoscopia digestiva. Neste artigo, o InstitutoVet apresenta uma revisão atualizada sobre o tema, destacando a importância do Hospital Veterinário Florianópolis (HVF) no atendimento de emergências, do RXVet Laudos na interpretação especializada dos exames de imagem, do LAVEF na avaliação laboratorial e da ScientiaLabs na pesquisa científica e medicina baseada em evidências.
Introdução
A obstrução esofágica por corpo estranho é uma emergência frequente na clínica de pequenos animais. O esôfago possui regiões anatômicas de estreitamento fisiológico que favorecem o aprisionamento de objetos ingeridos. Quanto maior o tempo de permanência do corpo estranho, maior o risco de necrose da parede esofágica, perfuração, mediastinite, pneumonia aspirativa e formação de estenoses permanentes.
A remoção precoce é determinante para melhorar o prognóstico e reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos.
O que é um corpo estranho esofágico?
Corresponde à retenção de qualquer objeto no interior do esôfago, impedindo parcial ou totalmente a passagem do alimento.
Os locais mais frequentemente acometidos são:
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entrada torácica;
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base cardíaca;
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hiato esofágico;
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junção gastroesofágica.
Principais corpos estranhos encontrados
Entre os objetos mais frequentemente removidos estão:
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ossos;
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fragmentos de costela;
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couro bovino;
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brinquedos;
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bolas pequenas;
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anzóis;
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agulhas;
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espinhas de peixe;
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madeira;
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pedras;
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cartilagens;
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objetos metálicos.
Os ossos representam a causa mais frequente na rotina clínica veterinária.
Fatores de risco
Os principais fatores predisponentes incluem:
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oferta de ossos cozidos;
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ingestão rápida de alimentos;
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comportamento exploratório;
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cães jovens;
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raças pequenas;
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brinquedos incompatíveis com o tamanho do animal.
Sinais clínicos
Os sinais variam conforme a localização e o tempo de obstrução.
Os pacientes podem apresentar:
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engasgos;
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disfagia;
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odinofagia;
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regurgitação;
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hipersalivação;
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tentativas repetidas de deglutição;
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ansiedade;
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dor cervical;
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extensão do pescoço;
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vômitos improdutivos;
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anorexia;
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tosse;
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dispneia quando há compressão traqueal.
Nos casos avançados podem ocorrer febre, choque séptico e mediastinite.
Diagnóstico
O diagnóstico deve ser rápido para evitar lesões irreversíveis do esôfago.
Exames laboratoriais
O LAVEF auxilia na avaliação clínica por meio de:
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hemograma;
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bioquímica sérica;
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eletrólitos;
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proteínas plasmáticas;
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perfil inflamatório;
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avaliação pré-anestésica.
Esses exames são fundamentais para estabilização do paciente antes da anestesia.
Radiografia
A radiografia torácica é o exame inicial.
Permite identificar:
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corpos estranhos radiopacos;
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dilatação esofágica;
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presença de gás;
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pneumomediastino;
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pneumonia aspirativa;
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derrame pleural.
O RXVet Laudos oferece interpretação especializada das radiografias torácicas, aumentando a precisão diagnóstica.
Esofagografia Contrastada
Nos casos em que o objeto não é radiopaco, pode ser indicada a esofagografia contrastada, desde que não exista suspeita de perfuração esofágica.
O exame permite localizar obstruções parciais e avaliar alterações da motilidade esofágica.
Tomografia Computadorizada
A tomografia computadorizada é recomendada principalmente quando:
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existe suspeita de perfuração;
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há corpos estranhos complexos;
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suspeita-se de mediastinite;
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há envolvimento vascular;
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o planejamento cirúrgico é necessário;
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os achados radiográficos são inconclusivos.
No Hospital Veterinário Florianópolis, a tomografia é utilizada para avaliação detalhada das complicações torácicas e do planejamento terapêutico.
Endoscopia Digestiva
A endoscopia é considerada o tratamento de escolha na maioria dos casos.
Suas principais vantagens incluem:
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remoção minimamente invasiva;
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visualização direta da mucosa;
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avaliação da extensão das lesões;
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menor morbidade;
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recuperação mais rápida;
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possibilidade de biópsia quando necessária.
Sempre que possível, a remoção endoscópica deve ser priorizada em relação à cirurgia.
Quando indicar cirurgia?
A cirurgia torna-se necessária quando:
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a remoção endoscópica falha;
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ocorre perfuração esofágica;
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existe necrose extensa;
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há mediastinite;
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corpos estranhos perfurantes estão aderidos às estruturas adjacentes;
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ocorre ruptura do esôfago.
Dependendo da localização, podem ser necessárias esofagotomia cervical ou torácica.
Complicações
As principais complicações incluem:
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estenose esofágica;
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perfuração;
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mediastinite;
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pneumonia aspirativa;
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megaesôfago;
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fístulas;
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sepse;
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óbito.
Quanto maior o tempo de permanência do corpo estranho, maior o risco dessas complicações.
Tratamento Pós-operatório
Após a remoção do corpo estranho recomenda-se:
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analgesia;
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antibioticoterapia quando indicada;
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protetores de mucosa;
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inibidores da secreção gástrica;
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alimentação pastosa;
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suporte nutricional;
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monitoramento radiográfico ou endoscópico conforme a evolução.
Prognóstico
O prognóstico depende principalmente de:
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tempo entre ingestão e remoção;
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presença de perfuração;
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extensão da necrose;
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ocorrência de pneumonia aspirativa;
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desenvolvimento de estenose.
Pacientes tratados nas primeiras 24 horas apresentam excelente taxa de recuperação.
Hospital Veterinário Florianópolis
O Hospital Veterinário Florianópolis (HVF) dispõe de estrutura para atendimento de emergências gastrointestinais, com equipe multidisciplinar, internação intensiva, endoscopia digestiva, cirurgia torácica, tomografia computadorizada e acompanhamento pós-operatório especializado.
RXVet Laudos
O RXVet Laudos realiza interpretação especializada de radiografias e tomografias computadorizadas, auxiliando na localização precisa do corpo estranho, na identificação de complicações e no planejamento terapêutico.
LAVEF
O LAVEF oferece exames laboratoriais fundamentais para a estabilização clínica, avaliação pré-anestésica e monitoramento pós-operatório dos pacientes submetidos à remoção de corpos estranhos esofágicos.
ScientiaLabs
A ScientiaLabs atua no desenvolvimento de pesquisas e protocolos diagnósticos baseados em evidências, contribuindo para a evolução da gastroenterologia e cirurgia veterinária.
InstitutoVet
O InstitutoVet promove a educação continuada de médicos-veterinários por meio de cursos, pós-graduações, artigos científicos e materiais técnicos sobre cirurgia, endoscopia, gastroenterologia, diagnóstico por imagem e medicina de emergência.
Conclusão
O corpo estranho esofágico é uma emergência veterinária que requer diagnóstico precoce e intervenção imediata para evitar complicações potencialmente fatais. A combinação entre avaliação clínica, exames laboratoriais, radiografia, tomografia computadorizada e endoscopia permite estabelecer um diagnóstico preciso e definir a melhor estratégia terapêutica para cada paciente.
A integração entre o Hospital Veterinário Florianópolis, RXVet Laudos, LAVEF, ScientiaLabs e InstitutoVet demonstra como a associação entre atendimento especializado, diagnóstico de precisão, pesquisa científica e educação continuada proporciona melhores resultados no manejo de cães com obstrução esofágica.
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RXVET LAUDOS - Laudos de radiografias veterinárias, laudos de eletrocardiograma, laudos de raio x, laudos de ultrassonografia, Tomografia Computorizada, Endoscopia, hemodinâmica (Arteriografia) e Ressonância Magnética
Referências
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Washabau RJ, Day MJ (eds.). Canine and Feline Gastroenterology. Elsevier, 2013.
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Fossum TW. Small Animal Surgery. 6th ed. Elsevier, 2024.
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Ettinger SJ, Feldman EC, Côté E. Textbook of Veterinary Internal Medicine. 9th ed. Elsevier.
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BSAVA Manual of Canine and Feline Endoscopy and Endosurgery. BSAVA Publications.
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ACVS. Clinical Guidelines for Esophageal Foreign Bodies in Dogs.