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Por
Prof. Ewerton Cardoso / Hospital Veterinário Florianopolis - Rxvet Laudos
Tumores de Faringe e Laringe em Cães e Gatos: Diagnóstico, Principais Neoplasias e Tratamento
Os tumores de faringe e laringe são relativamente incomuns em cães e gatos, porém possuem grande importância clínica devido à localização anatômica e ao risco de obstrução das vias aéreas. Pequenas massas podem provocar alterações significativas na passagem do ar, deglutição e vocalização. Entre as neoplasias descritas estão carcinoma de células escamosas, linfoma, adenocarcinoma, melanoma, mastocitoma, osteossarcoma e outros tumores menos frequentes. Em cães, tumores laríngeos incluem oncocitoma, carcinoma de células escamosas, mastocitoma, melanoma e osteossarcoma; em gatos, carcinoma de células escamosas, linfoma e adenocarcinoma estão entre os tipos relatados. O diagnóstico exige uma abordagem multidisciplinar, combinando exame clínico, avaliação da cavidade oral e faringe, laringoscopia, exames de imagem, tomografia computadorizada e confirmação citológica ou histopatológica. O tratamento depende do tipo histológico, localização, extensão da lesão e possibilidade de ressecção completa.
Tumores de Faringe e Laringe em Cães e Gatos: Diagnóstico, Principais Neoplasias e Tratamento
Autor: Ewerton Cardoso
Introdução
A faringe e a laringe desempenham funções fundamentais na respiração, deglutição e proteção das vias aéreas.
A laringe controla a passagem do ar para os pulmões e participa da proteção das vias respiratórias durante a deglutição. Também possui importante função na vocalização e no reflexo da tosse.
Por isso, uma neoplasia localizada nessa região pode produzir manifestações clínicas importantes mesmo quando apresenta dimensões relativamente pequenas.
A dificuldade respiratória pode evoluir rapidamente para uma emergência, principalmente quando existe obstrução significativa da luz laríngea.
Tumores de faringe e laringe são comuns?
Não.
As neoplasias primárias da laringe são consideradas raras em cães e gatos.
Entretanto, sua importância clínica é maior do que sua frequência sugere.
Isso acontece porque a região possui pouco espaço anatômico disponível. Uma massa expansiva pode reduzir significativamente o lúmen respiratório e interferir simultaneamente na deglutição.
Além disso, algumas dessas neoplasias apresentam comportamento biologicamente agressivo.
Principais tumores da laringe
Cães
Entre os tumores laríngeos descritos em cães estão:
O carcinoma de células escamosas merece atenção especial.
Um relato publicado em 2026 descreveu um cão com carcinoma de células escamosas invasivo da laringe, apresentando dispneia, taquipneia e disfagia progressivas. A massa estava localizada na região dos aritenoides e exigiu tratamento cirúrgico, avaliação das margens e abordagem complementar.
Tumores laríngeos em gatos
Nos gatos, as neoplasias laríngeas primárias são igualmente incomuns.
Entre as principais estão:
O linfoma laríngeo ou traqueal merece atenção especial na espécie felina.
Uma série retrospectiva multicêntrica publicada em 2023 avaliou 23 gatos com linfoma primário de laringe ou traqueia. A idade mediana foi de 11 anos, e os sinais mais frequentes foram aumento do esforço respiratório e alterações nos sons das vias aéreas superiores. Todos os casos submetidos à imunofenotipagem apresentaram fenótipo de células B. (PubMed)
Quais são os sinais clínicos?
Os sinais dependem da localização e do grau de obstrução.
Entre os principais estão:
Tumores laríngeos podem produzir sinais de obstrução fixa das vias aéreas superiores, incluindo dificuldade respiratória inspiratória e expiratória.
Estridor: um sinal que não deve ser ignorado
O estridor é um ruído respiratório anormal produzido pela passagem turbulenta do ar através de uma região estreitada das vias aéreas superiores.
Em um cão ou gato com:
estridor + dispneia progressiva + alteração de vocalização
deve-se considerar a possibilidade de uma doença estrutural da laringe.
Entre os diagnósticos diferenciais estão:
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paralisia laríngea;
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edema;
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inflamação;
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corpo estranho;
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pólipos;
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granulomas;
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estenoses;
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neoplasias.
Portanto, a presença de estridor não significa necessariamente câncer, mas uma alteração persistente ou progressiva deve ser investigada.
Tumor ou doença inflamatória?
Essa diferenciação é extremamente importante.
Massas na região laríngea podem representar:
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neoplasia;
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pólipo inflamatório;
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granuloma;
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hiperplasia;
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edema;
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processo infeccioso;
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corpo estranho.
O exame visual isolado não é suficiente para estabelecer o diagnóstico definitivo.
A confirmação frequentemente exige citologia, biópsia e exame histopatológico.
Em gatos com doença laríngea, um estudo retrospectivo demonstrou que a laringoscopia e a avaliação ultrassonográfica foram úteis, mas a histologia foi necessária para diagnosticar as doenças diferentes da paralisia laríngea.
Diagnóstico
O diagnóstico deve seguir uma sequência lógica.
1. Exame clínico
A avaliação começa pela identificação de:
2. Radiografia
A radiografia pode fornecer informações sobre:
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alterações da região cervical;
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aumento de tecidos moles;
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alterações traqueais;
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massas torácicas associadas;
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metástases pulmonares;
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alterações secundárias.
Entretanto, sua capacidade de caracterizar pequenas lesões de tecidos moles é limitada.
3. Tomografia Computadorizada
A tomografia possui papel importante no planejamento diagnóstico e terapêutico.
Pode demonstrar:
A tomografia também pode ser extremamente útil para o planejamento cirúrgico e para o estadiamento oncológico.
Nesse contexto, a interpretação especializada do RXVet Laudos pode contribuir para uma avaliação mais detalhada dos exames de imagem.
4. Laringoscopia
A laringoscopia permite visualizar diretamente:
É uma ferramenta particularmente importante quando existe suspeita de doença estrutural da laringe.
5. Endoscopia e biópsia
Quando existe uma massa suspeita, a obtenção de tecido é fundamental.
O material pode ser encaminhado para:
Nos casos de suspeita de linfoma, a imunofenotipagem pode ser particularmente importante para classificação e planejamento terapêutico.
O papel do laboratório
O LAVEF pode participar da investigação por meio de exames laboratoriais necessários para:
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avaliação pré-anestésica;
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hemograma;
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bioquímica;
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avaliação sistêmica;
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investigação de doenças concomitantes;
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monitoramento durante o tratamento.
A integração entre laboratório e diagnóstico por imagem é particularmente importante em pacientes oncológicos.
Estadiamento
Depois da confirmação de uma neoplasia, é necessário determinar sua extensão.
O estadiamento pode incluir:
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avaliação dos linfonodos;
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radiografia ou tomografia torácica;
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tomografia da região primária;
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ultrassonografia abdominal;
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avaliação hematológica;
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citologia de linfonodos;
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exames adicionais conforme o tipo tumoral.
As diretrizes oncológicas atuais enfatizam que diagnóstico, estadiamento, tratamento e acompanhamento devem ser integrados e individualizados para cães e gatos com câncer. (PubMed)
Tratamento
O tratamento depende principalmente do tipo histológico e da extensão da doença.
As possibilidades incluem:
Cirurgia
Pode ser considerada quando a massa é localizada e tecnicamente ressecável.
O objetivo é obter controle local adequado, preservando, sempre que possível, a função das vias aéreas.
Quimioterapia
É particularmente importante para tumores sensíveis à terapia sistêmica, como determinados linfomas.
No estudo com 23 gatos com linfoma laríngeo ou traqueal, diferentes modalidades terapêuticas foram empregadas, incluindo cirurgia de redução tumoral e protocolos quimioterápicos. (PubMed)
Radioterapia
Pode ser considerada em situações selecionadas, principalmente quando o controle local é necessário e a cirurgia não é possível ou não permite margens adequadas.
Terapias combinadas
Dependendo do tumor, pode ser utilizada uma abordagem multimodal envolvendo:
cirurgia + quimioterapia + radioterapia
ou outras modalidades complementares.
Quando a cirurgia é difícil?
A laringe é uma região anatomicamente complexa.
Uma cirurgia agressiva pode comprometer:
Por isso, a decisão cirúrgica precisa considerar não apenas a possibilidade de retirar a massa, mas também a qualidade de vida e a função respiratória do paciente.
Um relato de 2026 de carcinoma laríngeo em cão demonstrou justamente esse desafio: a localização da neoplasia dificultava a obtenção de margens cirúrgicas adequadas, levando à utilização de avaliação intraoperatória das margens e tratamento complementar. (PubMed)
Emergência respiratória
Um dos aspectos mais importantes dos tumores laríngeos é a possibilidade de obstrução aguda das vias aéreas.
Um animal com tumor conhecido pode apresentar piora súbita devido a:
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crescimento tumoral;
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edema;
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hemorragia;
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secreções;
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inflamação;
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obstrução mecânica.
Nessas situações, a prioridade passa a ser a manutenção da via aérea e estabilização do paciente, antes da investigação definitiva.
Em casos selecionados e graves, pode ser necessária traqueostomia temporária ou permanente.
Prognóstico
O prognóstico varia significativamente.
Deve-se considerar:
Os tumores laríngeos felinos podem apresentar comportamento agressivo. Relatos de carcinoma indiferenciado destacam progressão rápida e prognóstico desfavorável em alguns pacientes.
Por outro lado, determinados linfomas podem responder à quimioterapia e apresentar períodos relevantes de controle da doença.
Portanto, não é adequado estabelecer um prognóstico apenas pela localização do tumor.
A importância do diagnóstico precoce
Uma das maiores dificuldades é que os primeiros sinais podem ser confundidos com doenças respiratórias comuns.
Um animal que apresenta apenas:
"mudança no latido"
ou
"respiração ruidosa"
pode inicialmente ser tratado como portador de uma doença inflamatória ou funcional.
Entretanto, quando o sinal é persistente, progressivo ou associado à disfagia e dificuldade respiratória, é necessário aprofundar a investigação.
InstitutoVet: conhecimento aplicado à prática veterinária
O InstitutoVet tem como objetivo promover atualização científica e educação continuada para médicos-veterinários, aproximando a prática clínica das evidências disponíveis na literatura.
A abordagem dos tumores de faringe e laringe demonstra a importância do raciocínio clínico integrado: uma alteração aparentemente simples das vias aéreas superiores pode exigir participação de profissionais de clínica médica, diagnóstico por imagem, endoscopia, cirurgia, oncologia e patologia.
Hospital Veterinário Florianópolis
O Hospital Veterinário Florianópolis (HVF) integra atendimento clínico, diagnóstico por imagem, cirurgia, oncologia e suporte hospitalar para pacientes que necessitam de investigação e tratamento especializado.
Nos casos de massas de faringe e laringe, a integração entre avaliação clínica, imagem avançada, endoscopia e diagnóstico histopatológico é fundamental para definir a estratégia terapêutica.
RXVet Laudos
O RXVet Laudos participa do processo diagnóstico por meio da interpretação especializada dos exames de imagem.
Radiografia e, especialmente, tomografia podem contribuir para determinar a localização e extensão da lesão, avaliar estruturas adjacentes e auxiliar no estadiamento.
LAVEF
O LAVEF contribui com o diagnóstico laboratorial e acompanhamento dos pacientes, fornecendo informações importantes para avaliação sistêmica, preparação para procedimentos anestésicos e monitoramento durante o tratamento.
ScientiaLabs
A ScientiaLabs contribui para a integração entre diagnóstico laboratorial, pesquisa e medicina baseada em evidências, fortalecendo a busca por métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas cada vez mais precisas.
Conclusão
Os tumores de faringe e laringe em cães e gatos são pouco frequentes, mas possuem elevada importância clínica devido ao risco de comprometimento das vias aéreas, deglutição e qualidade de vida.
Estridor, dispneia progressiva, alteração persistente da vocalização, disfagia e massas na região orofaríngea ou laríngea devem ser investigados cuidadosamente.
A combinação de exame clínico, laringoscopia, diagnóstico por imagem, tomografia computadorizada, citologia, biópsia e histopatologia permite estabelecer o diagnóstico e o estadiamento com maior precisão.
O tratamento deve ser individualizado de acordo com o tipo tumoral e pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação dessas modalidades.
A atuação integrada entre InstitutoVet, Hospital Veterinário Florianópolis, RXVet Laudos, LAVEF e ScientiaLabs reforça a importância de uma medicina veterinária baseada em diagnóstico de precisão, abordagem multidisciplinar e atualização científica contínua.
Referências científicas selecionadas
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Christensen J, et al. AAHA Oncology Guidelines for Dogs and Cats. Journal of the American Animal Hospital Association. 2026. (PubMed)
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Rodriguez-Piza I, et al. Clinical presentation, treatment and outcome in 23 cats with laryngeal or tracheal lymphoma. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2023. (PubMed)
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Frigerio ED, et al. Invasive Squamous Cell Carcinoma of the Larynx in a Dog. Case Reports in Veterinary Medicine. 2026. (PubMed)
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Neoplasia of the Respiratory System in Dogs and Cats. Merck Veterinary Manual. (Manual Veterinário Merck)
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Laryngeal disease in cats: a retrospective study of 35 cases. Journal of Feline Medicine and Surgery. (PubMed)
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Wheeldon EB, Amis TC. Laryngeal carcinoma in a cat. Journal of the American Veterinary Medical Association. (PubMed)
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Vos JH, van der Gaag I, van Sluys FJ. Oropharyngeal tumors in dogs and cats: a review. (PubMed)